Saturday, April 09, 2011

ALENTEJOAGRORURAL Ate meados do século passado , no mundo rural alentejano, vivia-se numa lógica empresarial .Estava assente que , “ mais valia trabalhar com um escudo , por conta própria , do que com com mil como empregado” Trabalhava-se denodadamente , a existência era simplificada , a frugalidade era a forma de poupança Excelente formula .Foi anulada .Foi pena
FALHAMOS ,porque não conseguimos redimensionar as explorações , de acordo com as exigências dos tempos , já que os inamovíveis latifúndios a tal obstavam. Arranjar um emprego ou debandar foi a solução O Alentejo despovoou-se Apressada pela mecanização a nossa destruição aconteceu num ápice Perdeu-se uma comunidade milenar Há custos que têm que ser pagos
.NA MEDIDA em que feneciam os agricultores começaram a surgir empregos no estado, câmaras ,empresas publicas , com salários atractivos, direitos impensáveis .As pessoas perderam o sentido das proporções , viciaram-se nas greves com uma impressionante falta de respeito pelo próximo , perderam a capacidade de ousar , arruinaram o estado Instalados vêm a vida passar-lhes ao lado
HOJE , TARDE , percebe-se que foi um erro colossal .Restabelece-lo não é fácil . Repor a vida rural implica morigerar sector latifundiário para o qual é preciso coragem ; instalar pessoas , com a capacidade agrícola desactualizada , implica apoios Continuar assim ,porem , como está , é um convite á nossa substituição a todos os níveis , incluindo no estado A época não é boa para os fracos

Friday, April 01, 2011

Nós , pequenos empresários ,sabemos bem que as dividas são fáceis de fazer ,mas dificílimas de pagar .As vezes vão-se ,alem dos anéis ,também os dedos . neste caso bens físicos básicos da actividade .Com os estados ,é a mesma coisa Pagam-se as dividas tantas vezes com com a diminuição da soberania e da liberdade No mundo rural recomendava-se “ produzir e poupar” Hoje intercalaria “desbloquear”

Monday, November 15, 2010

AlentejoAgroRural

ANALIZAMO-LO
Estamos em crise :--- monetária ,económica ,social , de valores , de produção ,de povoamento ,de procriação , de ruralidade ,entre outros Estamos á mercê dos designados mercados que mais não são do que ditaduras bancarias e empresariais cujos propósitos é encher os bolsos dos administradores e accionistas .Movendo-se ao estilo dos abutres, a quem lhe chegou ao nariz o cheiro putrefacto da nossa incapacidade de alterar as estruturas fundiárias ,ei-los a disputar-nos E nós a .pormo-nos a jeito persistindo na manutenção de direitos adquiridos , sobre o espaço rústico regional sem que disso resulte o dever de lhe dar um uso minimamente consentâneo com os superiores desígnios regionais . Há a maior complacência na aquisição de terras como se elas fossem um produto de mercearia adquirível , em auto-aprovisionamento, por qualquer um , sem se cuidar de saber se os seus propósitos tem dignidade para que se lhe possa atribuir a enorme distinção que é a detenção de uma parcela do nosso chão pátrio

2---Claro que isto tem solução ,mesmo no actual estado de debilidade em que nos encontramos,.Para tal , mesmo no actual quadro partidário , importa obter apoio eleitoral tomando medidas que agreguem vontades
Analisamos pois o comportamento dos grupos agro-sociais e políticos , que ,no ultimo quarto de século , foram influentes no mundo rural regional
a)---A acção do PSD entre 1985/95 foi caracterizada pela devolução das terras aos anteriores proprietários esquecendo-se da forma indecorosa como, no século XIX, esses mesmos ,no-las a surripiaram ,quer através de leilões fraudulentas quer do que ficou conhecido pelo esbulho dos baldios .Esta formação partidária não tem a menor credibilidade neste domínio A sua implantação insignificante Os pequenos e médios agricultores militam neste partido porque não vem no PS vontade de proceder a alterações fundiárias
b)---O PCP que , empurrado pelas forças armadas , recuperou grande parte do Alentejo ás mãos da cleptocracia latifundiária reinante , obtive os aplausos da generalidade do “homem do Alentejo” .Porem , a forma arrogante como se comportou e o uso colectivista , que deu ás terras ,desacreditou-o Numerosos , especialmente a nível autárquico ,compreende-se que o sejam quando uma saudade ,compreende-se que se seja comunista ,ou qualquer outra coisa , contra tal situação Mexendo no sector fundiária retira-se-lhes a razão contestatária
c)---- O PS com excelente desempenho na antecipação dos regadios , não teve , em termos de alterações do quadro fundiário , nenhuma intervenção ,.Não tendo o ónus negativo das outras formações partidários , é o único com condições para se apresentar ao eleitorado com credibilidade para o efeito .Intervindo no meio,vai recuperar os pequenos e médios agricultores e uma boa parte dos do PCP que vem no PS alguém capaz de enfrentar o inimigo de todos os tempos

3---A nossa situação ao nível do empresariado médio é de pré-rotura O que , tal como num acidente obriga a que se lance fora o balastro inútil , para salvar o resto ,também nós nos nos devemos libertar destes atávicos direitos adquiridos, geralmente de duvidosa legitimidade ,que nos atrapalham na senda do progresso ,impondo a máxima :--A detenção do espaço rústico, legado pelos antepassados , tem implícita a obrigação de o transmitir á geração que se segue .Logo inegociável
Para tal importa que a cedência dos solos se limite ao âmbito consuetudinário Consentimento esse valido durante e enquanto a sua intervenção se compaginar com os interesses regionais
Destas minhas observações ressalta a propositada intenção de condicionar o uso da terra (não a posse ) .Tenho sido criticado por privilegiar aquilo que se designa por explorações á “escala do homem “em contraste com as perder de vista do EUA Acabo com um facto que constitui um ícones dessa grande nação “” Numa reserva de Índios , em Seattle ,apareceu petróleo .Abordado, o chefe índio , no sentido de vender essa parcela ele respondeu --- a terra é mãe e a mãe não se vende””.É um dos seus símbolos
A grandeza dos EUA ainda se limita a produção em massa Mas há certeza de que no momento certo toma as medidas certas A nossa solução já não passa só por produzir alimentos ; mas sim por repovoar ; prosseguir a construção da paisagem ; a defesa ,com a presença humana neste território vazio sob ameaça ; a preservação dos usos ,costumes e tradições ; honrar a nossa historia ;.dignificar a nossa pátria
Francisco Pandega (agricultor ) fjnpandega@hotmail.com blog// AlentejoAgroRural .blogspot. com

Wednesday, June 03, 2009

Alentejo agro-rural

E os Eurodeputados

Um federalismo prudente
1----De facto, o interesse pelas eleições europeias é menor do que o pelas legislativas ou autárquicas nacionais .Uma das razões deriva do facto dos deputados nacionais a eleger serem dispersados pelas formações partidárias afins, ultra nacionais, ficando, na prática ,desvinculados da nação de origem. Outro factor é o gigantismo e complexidade das estruturas organizativas da comunidade em relação ás quais os eleitores sentem que não têm a menor influencia. Tem-se a impressão de que se trata de uma governação longínqua, tantas vezes desfasada das realidades locais e excessivamente influenciada pelos países ditos grandes Daí que a apressada transição para o federalismo, se bem que defensável em muitos aspectos ,pode não constituir a melhor solução para as regiões rurais Precisa-se , para o efeito , de uma entidade nos moldes do desactivado comité das regiões ,no qual os representantes directos dos povos exercessem a sua influencia
Foi certamente a pensar nisso que os pais fundadores da comunidade tenham optado pela Europa dos povos ou das regiões, uma e a mesmo coisa dada a coincidência da sua sobreposição espacial E tinham razão , na medida em que acautelavam a defesa dos valores regionais tradicionais evitando uma aculturação geral “do tipo rasoira “ que tantos conquistadores têm empreendida e tantas sofrimentos e desgraças tem causado Pretende-se , isso sim , uma Europa unida e coesa na diversidade dos seus valores regionais


A especificidade alentejana
2--- Sendo assim importa caracterizar a região Alentejo numa perpectiva de integração comunitária
Ocupado por uma burguesia de Lisboa, enriquecida no rescaldo das invasões francesas ,desde 1835 ,comprara , em hastas publicas fraudulentas , grande parte do Alentejo que há pouco havia sido confiscado ás ordens religiosas
Indecorosos ,senhores de todos os poderes , espremeram até ao tutano ,pela via fundiária , a indefesa comunidade rural .Esta , descaracterizando-se e perdendo a identidade, tornou-se absolutamente incapaz de se reorganizar ou sequer de esboçar o menor gesto de inconformidade
Hoje apostados na transmissão da propriedade para os espanhóis privam-nos , agora sim e definitivamente , de aceder á sua usufruição Triste paga para quem durante dois séculos lhes permitiu a exploração mais infame quer do meio quer das gentes
. Que vão e depressa, libertando-nos da sua indesejável presença Assim nós tivéssemos a possibilidade de reverter esses transferência em beneficio da comunidade rural residente , como é da mais elementar justiça, como são os interesses regionais /nacionais , e como , de facto , se processa entre os nossos parceiros comunitários .


Boa sorte para o nosso Alentejo
3---Nessa circunstâncias compreende-se o fraco proveito agrícola da nossa integração na comunidade europeia Esta estranha especificidade , fruto de vicissitudes e históricas, porque inusitada entre os nossos pares , terá que ter uma tratamento diferenciado Trata-se de uma injustificada pobreza , resultante , não do meios em si mesmo mas sim dos constrangimentos fundiários vigentes , arruína-nos Quem duvidar repare nas imensas verbas destinadas á agricultura , em simultâneo com a sobrevalorização da cortiça que carrearam para o Alentejo fundos colossais cujos cujo destino não se atina bem qual .O resultado , é a crescente perda de produção e produtividade ; um estranho e perigosíssimo despovoamento , um abandono como se uma peste por aqui tivesses grassado ; uma galopante perda de qualidade das suas gentes ; um sentimento de desenraizamento .
Estará tudo perdido ? Não .
Noutras situações ,igualmente difíceis , o Partido Socialista ,tal bombeiro de serviço nas horas difíceis ,tem-nas empreendido com coragem e lucidez Recordo o pós 25 de Abril e a invulgar prestação de Mario Soares que ,por meio da lei 77/77 , instalou ordem e disciplina no mundo rural alentejano e com isso abriu caminho a Sá Carneiro para encetar uma notável obra de repovoamento agrário
Também agora , numa altura em que se elegem os representantes para o parlamento ,estão indigitados dois alentejanos que fazem parte do grupo dos melhores de entre nós
Europeístas convictos defenderão os interesses regionais nem que para tal tenham que desenterrar o Comité das Regiões Como cidadão alentejano , que faz parte integrante desde mundo “cão agro-regional “ sei que os interesses da nossa região vão ser bem defendidos
Sinto-me reconfortado se de alguma forma tenha contribuído para a necessária clarividência na opção de voto dos meus concidadãos . E ,por fim , boa sorte para o nosso Alentejo
Francisco Pândega (agricultor) /// fjnpandega@hotmail.com //// alentejoagrorural.blogspot.com

Monday, February 26, 2007

AlentejoAgroRural
e a
CE (comunidade europeia)

A CE volta a referendar a constituição . Agora revista, continua a ser de concepção federalista, como convém, mas expurgada dos factores que deram origem anterior rejeição. Actualmente governada com base no tratado de Nice, elaborado para outra época, para outras questões e para um menor número de membros, tornou-se claro ser insuficiente para lidar com os problemas actuais. A Europa, precisa de uma constituição unificadora para as relações internacionais mas descentralizada internamente com base nas regiões naturais .

A EUROPA COMUNITÁRIA, esta velha e muito experiente Europa, detentora de uma vasta experiência adquirida em guerras fratricidas, dizimada por fomes e varrida por pestes, conhece, por experiência vivida, o valor da paz e da ordem. Defensora intransigente do seu mundo rural, traduzida nos substanciais apoios da PAC, mesmo ao arrepio dos ditames da OCM (organização comum de mercados), sabe ter o dever inalienável de preservar as suas raízes e, com isso, a estabilidade social e segurança alimentar. É nesse conceito governativo que nós, região Alentejo, tentamos inserir-nos mas, por deficiências estruturais básicas, não conseguimos alcançar os seus padrões de desenvolvimento, já que persistimos na manutenção de uma estática fórmula fundiária; capitulamos seduzidos perante o dinheiro que jorra do lado de lá das fronteiras; inebriamo-nos face a sistemas agrícolas exóticos, certamente funcionais noutros meios regionais não o sendo necessariamente aqui; subavaliamos o quer e saber regional preterindo-o em beneficio de miragens agrícolas que, umas a seguir ás outras, vão sendo um somatório de fracassos.
Estamos a falar da Europa pós guerra sobre cujas cinzas adoptou uma nova ordem A sua génese fundacional teve por base as regiões ou povos, que são uma e a mesma coisa , e não Europa das nações como comummente se denomina. É que entre uma região e uma nação hão diferenças enormes Uma nação é uma construção formada por diferentes regiões anexadas por guerras e mantidas pela força. Já a região é uma unidade geográfica diferenciada das circunvizinhas da qual resulta uma agricultura muito própria a consequente multiplicidade de actividades exógenas das quais deriva um homem cujo comportamento social é a emanação desse mesmo meio. Acontece que as nações, quer porque compelidas pelos povos que as integram, quer por razões de estratégia económica, foram autonomizando as suas regiões naturais. O exemplo da Espanha, aqui ao lado, com as suas diversas regiões cada uma com diferentes estatutos autonómicos ,é o paradigma da eficiência regional. Nós não o fizemos. A nossa tentação pelo concentracionismo, a incapacidade de resistir aos poderosos interesses que ,de longe nos condicionam arruínam-nos completamente em termos económicos, sociais e identitários, ao ponto depor em causa a nossa soberania

O NOSSO MODELO agro rural centralizado, está esgotado não tendo a menor possibilidade de se integrar nos conceito comunitário. Sendo o Alentejo riquíssimo é incompreensível que tenha caída tão baixo ao ponto de claudicar por incapacidade de se governar . É como morrer-se de sede atolado em agua só até ao pescoço Tal como está , nem o resultado poderá ser outro . Uma administração a partir de Lisboa que detêm a governação até ao pormenor ; o poder sobre a terra concentra-se no exterior da região ,na posse de pseudo –agricultores ,incapazes de cumprir o dever que a sua posse impõe . No campo ficam gentes que pouco mais têm do que as ruas das aldeias e umas parcas courelas inviáveis para a agricultura de hoje . A afectividade rural soçobra .Face aos intransponíveis constrangimentos fundiários sentimo-nos estranhos no nosso próprio meio Daí a facilidade com que esta extemporânea colonização se estabelece ,sem o menor obstáculo que lhe modere o ímpeto ,mais parecendo uma fúria pela captura de espaço
Contudo , os fundamentos desta colonização assentam numa fraude monumental: --- somos acusados de não sermos capazes de produzir. Mentira. Fomos nós que, em condições desvantajosas , fizemos do Alentejo o celeiro de Portugal .Desenvolvemos o sistema, hoje recuperado pelas medidas agro-ambientais, denominado agro-silvo-pastoril , que integra o olival, a vinha e o regadio, articulados entre si constituindo-se num todo perfeito em todos os aspectos inclusivamente a rendibilidade qualidade e ambiente A génese da nossa destruição, como povo, reside na questão fundiária. Eis, pois, o drama, com que sempre esbarramos e que nos arruína como comunidade rural .
Os estrangeiros, porem, não obstante a abundância de recursos e facilidades na captura de subsídios, ainda não demonstraram que fazem tão bem como nós ou tão pouco que fazem algo perdurável . Dão nas vistas por ser exótico sem que na pratica passem disso mesmo .Só nós estamos em condições de proporcionar aos campos a multifuncionalidade que lhe esta inerente .Ou seja, para alem da produção de alimentos proceder a um povoamento harmónico do território, preservar o ambiente ,manter as raízes históricas , enfim manter vivo e actuante o nosso Alentejo .E isso somos nós quem tem o querer e o saber fazer .Que os estranhos ao meio não acertem nas formulas viáveis de agricultar é sabido já que “na terra aonde não nascer faça como ver fazer “ e eles, como aliás , todos os conquistadores , não têm a humildade de aprender com os conquistados
Tem que ser imposta alguma ordem nesta escalada colonizadora . Não é impune que uma nação milenar, como a nossa , que pelo facto de estar a atravessar um mau momento, possa ser seduzida e adquirida, pela nação contigua, nos que são os seus fundamentos básicos. E se há coisas que o dinheiro não compra é o solo e a dignidade de um povo Evidentemente que o que poderia ser uma coexistência pacífica acaba, mais tarde ou mais cedo, por descambar para o tumulto logo que as suas consequências, que presentemente se circunscrevem aos campos, transbordem para os meios urbanos o que, dada a velocidade com que tudo isto se processa, acontecerá rapidamente. E a inconformidade , que a razão acentua , acabará por ir parar ao tribunal das comunidade onde será dirimida .

ORA É AQUI QUE COMEÇA a razão deste escrito. Faz parte intrínseca da génese comunitária a defesa dos povos nas suas respectivas regiões Face a isso não lhe resta outra hipótese, perante o facto de uma comunidade rural autóctone estar a ser esbulhada dos legítimos direitos sobre o seu espaço ancestral, senão decidir em seu favor. Tudo isto poderia ser evitado se imperasse o bom senso Como tal não aconteceu, espera-se, ao menos, que esta contenda se processe , não só com decoro e elevação, mas também suficientemente convincente para ser entendida em toda a sua profundidade : -- trata-se de um povo que não aceita a substituição de indesejáveis donos de terras , por outros igualmente estranhos ao meio ,nenhum dos quais capazes de dar á terra as diversas funcionalidades que constituem a autenticidade regional .Somos nós, para alem da natural legitimidade , quem tem o querer e o saber fazer no mundo rural alentejano .Já o fizemos e voltaremos a fazê-lo desde que tal nos seja permitido . FRANCISCO PÂNDEGA (agricultor) /// e-mail - fjnpandega@hotmail.com /// Blog-alentejoagrorural.blogspot.com.

Monday, November 06, 2006

AlentejoAgroRural

SEU MEIO E SUAS GENTES

Breve caracterização .
1— Saído da minha aldeia ,( fronteiriça , exclusivamente agrícola , do tipo seareiros nas terras dos grandes donos do Alentejo ) em 1954, para Africa , assumi que nunca mais regressaria . O destino trocou-me as voltas e, dois anos depois do 25 de Abril , eis -me de volta .Nesta ausência , integrado noutras vivências em contraste com a do Alentejo ,facilmente conclui que este ,porque injusto e imoral , mais tarde ou mais cedo implodiria . Não por força da comunidade rural residente dado que esta , depois de diversas gerações a ser punida com estranha severidade ,ao mais pequeno indicio de inconformidade, reduziu para zero a sua capacidade de contestatária neste domínio .Nem pelo estado dada a sua conhecida incapacidade de entender tudo quanto se refere á agricultura assim como os altos valores que ela representa O que não me passou pela cabeça é que a sua substituição resultasse da OCM (livre comercio agrícola ) e os beneficiarmos fossem os espanhóis . Nunca pensei que acabássemos por cair tão baixo
2--- Há soluções , evidentemente Difíceis mas realizáveis já que a região é livre de proceder ás alterações fundiárias que queira , desde que gerais e abstractas , sem exclusão dos novos povoadores ,Ou seja incorporando-os ,embora duvide que aceitem . Essa nova ordem inclui reinstituir da função agro-social da terra ; fazer o ponto da situação ; e agir em conformidade visando a humanização do meio . Com abundantes meios tecnológicos ao dispor e porque não atinge mais do que dois mil eleitores /grandes proprietários , numero eleitoralmente desprezível ,,ausentes e sem a menor capacidade de agitar , embora grande a de manobrar , é facílimo .

A função da terra
a)---Só humanizando a nossa agro-ruralidade , será possível desenvolver a agricultura e , depois ,e então , os restantes sectores da actividade económica . Para tal é indispensável proceder a uma profunda rotura fundiária já que as reformas , que em devido tempo deveriam ter sido feitas , o não foram. . Mas primeiro que tudo importa mudar o conceito de terra
,institucionalizando-a como sendo um bem comum que só poderá ser detido por parte de quem esteja em condições de lhe dar um uso consentâneo com os superiores desígnios regionais , nem que para o efeito se tenha que reinstitucionalizar o confisco . Depois mudar as atitudes em relação a ela , dando oportunidade aqueles que saibam e queiram enquadrar-se naqueles desígnios
.È esse o caminho usado pelos nossos parceiros comunitários é esse o que temos que trilhar Dado o estado de absoluta irresponsabilidade e impunidade .senão mesmo criminalidade que campeia nos campos alentejanos só com medidas duras se obtêm a correcção os vícios existentes e se restitui á terra a função agro-social que lhe está implícita .

b)--- A questão fundiária
É inadmissível que o sector fundiário ,de decisiva importância para a nossa vida como nação, esteja detido , em nome de direitos adquiridos de duvidosa legitimidade , por quem se recuse a dar-lhe o devido uso
Tem sido uma tentação ao longos dos tempos o apossarem-se da terra para , em vez da explorar , proceder as exploração ,tantas vezes infame , das gentes rurais . Foi para contrariar isso que se fez ,em boa hora , a lei das Sesmarias . Foi por aplicação dessa lei que se confiscou muito terra , se talhonou em sesmos , os quais , por sua vez , foram atribuídos , por enfiteuse, a quem os trabalhasse .Por ironia do destino a lei das Sesmarias , destinada a povoar a fronteira de Castela como forma de conter as constantes incursões por parte dos nossos belicoso vizinhos, volta a fazer sentido pelas mesmas razões e no mesmos locais . A historia , de facto , repete-se Volte-se a usar o confisco ou outra qualquer medida , que não pode acontecer é que nesta época de grande exigência tecnológica , de assiduidade e permanência , 3/4do a Alentejo sejam detidos por donos que ña sus grande maioria nãose enquadram nestes propósitos com a agravante de deterem áreas desmesuradas
A sua manutenção ,na actividade ,destituida de funções sociais , produtivas , ou outras , só é possível porque se mantêm á margem de qualquer controlo regulador , que defina uma tipologia comportamental , tal como as grandes empresas estratégicas ; sem a condicionante seleccionadora do mercado que , como as restantes actividades económicas ,eliminam os incompetentes , laxistas e nulidades ; nem sequer submetidos ao escrutínio da classe, como os políticos , perpetuando-se implantados no terreno, indiferentes ao escárneo que lhe vota a restante população Assim ,em roda livre , á margem do que se designa por acção moderadora da sociedade , constituem um intransponível obstáculo que bloqueia o desenvolvimento e fragiliza as nossas defesas como região .

c)--- Não culpabilizem o meio nem as gentes
Perante a nossa inépcia agrícola e por falta de ombridade na assumpção das culpas , costuma-se atribui-las ao meio ou ás gentes . Visa-se ,com isso , não só esconder a própria inoperacionalidade como encobrir as colossais receitas daqui retiradas das quais sobressai as provenientes da cortiça
Na verdade , a culpa é, em primeira mão e em certa medida , nossa porque não somos capazes de impor regras no nosso próprio mundo rural .Depois do estado porque ,desde há muitas gerações a esta parte , nos vota , indefesos , ao seu livre arbítrio dos grandes donos da terra do que resultou :-- ou a pobreza subserviência e degradçaõ moral ou a debanada como alternativa Muitos se calhar os mais aptos , optaram pela ultima alternativa . O cônsul ronano ao dizer que nós n~so sabemos mandar nem queremos ser mandados , só parcialmente acertou . Não aceitamos ser mandados na nossa terra por quem não reconhecemos legitimidade para o fazer . Abalar já que não os podemos vencer.Se calhar foi isto que o cônsul romano quis dizer .
O nosso afastamento da usufruição do nosso espaço rural esta na razão directa da nossa pobreza como região Como prova disso repare-se , aqui, no outro lado da fronteira , para os nossos vizinhos extremenhos como têm um desempenho agro-rural admirável ,não obstante terem condições naturais piores do que as nossas ; humanas idênticas ; e sociais absolutamente iguais ate meio século atrás Isto porque conseguiram superar os constrangimentos e ,depois arribar a uma velocidade fulgurante Evidentemente que isto foi antecedido de uma guerra fratricida , entre a oligarquia fundiária ,por um lado ; e os colectivista , por outro .. Perderam os últimos, como é óbvio .Não porque não tivessem razão ao pretender alterações na situação fundiária ,mas sim porque o projecto que preconizaram era indefensável . Alias tal como aconteceu , em relação a nós , quarenta anos depois . Com uma diferença substancial :-- Connosco regrediu tudo para o estádio anterior mas eles tiveram o discernimento de abrir mão de parte dos seus privilégios , e proceder aos indispensáveis rearranjos fundiários .E , com isso humanizaram o meio rural, ponto de partida para o desenvolvimento exponencial a que se assiste .Em suma :-- primeiro foi uma aposta , na agricultura , actividade para a qual os extremenhos , têm especial orgulho e particular desvelo ; depois os restantes sectores da actividade económica e social potenciados pelo desenvolvimento agrícola ; mas sem que, vez alguma , tenham descurado a agricultura que acompanha a par e passo a modernidade .

Há questões que tem que ser abordadas
3—Surpreende que nós , povo velho , sabedor e corajoso , procure afanosamente as mais incríveis formas de superar a crise , sem enxergar , nos campos alentejanos , a solução alimentar , para o emprego, paz social , apaziguador das crises contestarias da urbes , e até , notem , a solução do problema da natalidade dado que os campos ( desde que a terra tenha a função social que se impõe ) são o meio por excelência para a constituição da família e da procriação. Em vez disso preferimos visionar soluções milagrosas, longínquas e fungíveis ,ignorando as fáceis ao nosso alcance e perfeitamente exequíveis
.Será falta de coragem ? até há pouco era evidente ,mas presentemente , não . Incapacidade de perceber a lógica vivencial rural e a sua incontornável articulação com determinado meio natural ? Parece-me que sim .
Costuma-se dizer-se que só passando pelas circunstancias as sabemos avaliar Não me contenho sem compartilhar , com os meus leitores ,a bagagem com que o tempo me foi municiando , neste domínio. Para concluir que , especialmente para os povos desfavorecidos ,como o alentejano , o valor mais profundo é ter pátria solo ,terra Para a manter travam lutas suicidas .E sabem , mais por instinto do que pela razão ,porquê . Tive múltiplas oportunidades para cimentar esta opinião
Encontrava-me em Israel no período que se seguiu a guerra dos sete dias entre este pais e o Egipto . Apercebia-me da disputas posteriores entre Israelitas e palestinianos por um montão de pedras íngremes , a norte ,e uma área de areia ressequida e estéril a sul .
Estabelecendo o contraste entre eles e nós , não posso deixar de corar de vergonha perante a nossa relação com o Alentejo . Este , sob o ponto de vista de muitos de nós , mais parece algo descartável , fácil presa alcance de qualquer um ,seja lá quem for , desde que se apresente com dinheiro , seja lá qual for a origem Impor como condição uma normal integração , isso não faz parte da apreciação da candidatura . Ao que chegamos . Fico profundamente triste , umas vezes , revoltado outras , ao ver como ingenuamente dissipamos ou subaproveitamos este precioso espaço que é o nosso Alentejo .Tão fácil e tão ao nosso alcance seria converte-lo em sede de riqueza e em fonte de bem estar social .Mas , entorpecidos como estamos , viciados em viver a expensas do estado , capazes de lutar por um mísero e efémero emprego ,mas não mexemos uma palha por valores mais altos .Só um grande choque ,nos faria acordar para a realidade vivencial que é o mundo de hoje .O que é pena . Porque este ses grandes choques ,numa área como esta ,geralmente são irreversíveis FranciscoPândega (agricultor ) // francisco.pandega@gmail.com /// alentejoagrorural.blogspot.pt

Sunday, July 31, 2005

Alentejo agrorural
E O VENTO
1---- É demasiadamente grave a nossa dependência energética . Não só pelos enormes preços que o petróleo alcançou mas , muito principalmente , porque estamos á mercê de um produto importado que , a haver alguma perturbação nos transportes ,de que resulte em rotura de abastecimento , a nossa vida transforma-se num pandemónio inimaginável Para aliviar essa dependência , projecta-se a instalação de parques eólicos ,ou seja de grupos de aerodínamos , accionados pelo vento , destinados á conversão da força do vento em energia eléctrica É bom recordar que , já em tempos e utilizando a força do vento , percorremos , de caravela , os mares nunca dantes navegados .Com vento habilmente utilizado ,fomos um povo grande entre os maiores Os tempos ,hoje , são outros . Porque perdemos a garra de então ,amolecidos na dependência do estado ,temos que ser mais contidos nas aspirações concentrando-as naquilo que seja exequível e facilmente alcançável . Aumentar, para o máximo possível , a produção de energia renováveis , constitui , nas actuais circunstancias , um imperativo nacional .O deus Eolo dotou-nos com um tipo de vento perfeitamente aproveitável . .Aproveitamo-lo , pois , já que é uma benesse da natureza que pode aliviar substancialmente , os custos da factura energética e ,com isso , aliviar o mau estar resultante da dependência de terceiros

2---- Outros países, utilizando a força do vento , desenvolveram as respectivas economias . Também nós , dada a bonomia , regularidade e previsibilidade dos nossos ventos ,temos essa possibilidade . Aliás utilizamo-lo abundantemente , nas lides agrícolas , até meados do século passado .
a)-- A Namíbia é um exemplo, bem conseguido , de sucesso , na utilização da energia eólica no accionamento de aéro- bombas .Muito simples e funcionais elevam a agua , das profundezas do deserto, para a superfície , transformando uma região desértica numa grande produtora de gado bovino Como se sabe a Namíbia , ex-colónia alemã do sudoeste africano , situa-se a sul de Angola . A Ocidente tem uma vasta costa atlântica .Essa costa que desde Moçamedes até a cidade do Cabo ,(uns milhares de quilómetros ,) é um dos desertos mais inóspitos do mundo aonde a agua superficial é praticamente inexistente Não tem matas mas somente arbustos rasteiros ; alguns pastos esparsos com uma palatibilidade do tipo salgado ; só areia e muitas rochas desnudadas . Essa aridez física e climática , escassez de agua , esterilidade dos solos , amplitudes térmicas , característica dos desertos , são devidas á corrente fria do Antárctico , que penetra no interior quente , e o transforma a em deserto Tem agua ,nas camadas profundas ,e tem muito vento ( a capital é Windooek –wind +ooek = casa do vento ) .O aparecimento da aerobombas foi providencial .Sendo um instrumento muito simples não deixa de ser funcional , quiçá o único possível , naquelas circunstancias e naquelas épocas .De onde vem essa agua , presente nas camadas mais profundas ? Interrogamo-nos ao atravessar o deserto.A explicação do indígenas é assim :-- No Planalto do Huambo (Angola ) nascem dois grandes rios que partem para sul , paralelamente , na direcção da Namíbia Ali chegados inflectem cada um para seu lado em direcções opostas ,fazendo fronteira :--- O Cunene para o Atlântico e o Okavango para o Indico .Acontece que , não obstante serem dois rios enormes ( fazem parte dos cinquenta maiores rios do mundo ) nenhum chega ao mar perdendo-se nos areais respectivamente da Namíbia e o Kalaari . Perante estes factos não deixa de haver alguma verosimilhança na afirmação de que agua no subsolo destes desertos é devida a esse rios É um exemplo bem eloquente do que ,com base em instrumentos simples e de fabrico caseiro , se pode transformar completamente uma região .No nosso caso importa descer ao mundo da realidade e retirar deste facto as devidas ilações b)-- O nosso vento é caracterizado por ser muito certinho , regular, sem velocidades excessivas ,bonançoso , muito pontual e previsível .Desde há mais de sessenta anos que não há nenhum ciclone .Não nos podemos queixar ,como outras regiões , de destruições e catástrofes por ele causadas . Como se sabe ,quando o vento é muito forte e carregado de chuva , arrasta terras do que resulta a conhecida erosão ravinosa .Se forte , na terra seca, levanta nuvens de pó , no chão fica a areia e a rocha emergente .È a erosão eólica que empobrece os solos e faz desertos Felizmente o nosso vento não é desses Quem, como nós , anda por esses campos , todo o dia durante anos, sabe que o comportamento do vento se enquadra no seguinte quadro :-- Nos dias de verão temos, pela manhã , uma aragem fresca ,às vezes húmida (brandurada) ;durante o dia o sol aquece o vento não mexe ,dando lugar á nossa tão glosada calma ; de tarde prenda-nos com um ar fresco , bonançoso, vindo do lado nascente ou seja do mar , ao qual nós ,por isso mesmo, designamos por maré .No Inverno , quando do sul , é um vento irregular , gélido e cortante , (suão ) ; ou então se do norte (designado por nortadas ) , geralmente transforma-se em ventania fria, e não raro carregada de chuva, cuja origem , ao que se diz ,é , predominantemente , do Maciço Central da Península Ibérica.Sem aleatoriedades que causam estragos , o nosso vento espera que o transformamos em energia quer mecânica quer eléctrica Com os actuais preços do petróleo não há tempo a perder .
c)-- .Para alem da navegação , também na agricultura , nós utilizamos a força do vento com bastante êxito . Nas eiras , aquando das debulhas , a palha era separada do grão por meio de uma operação denominada espalhagar ,que consistia em lança-la contra o sentido do vento do que resultava a separação da a palha do grão por efeito dos diferentes pesos específicos Outra aplicação era a moenga dos cereais nos moinhos de vento ,os quais , edificados em locais estratégicos ,tinham a função de transformar a força do vento num movimento rotativo de uma mó , sobre outra estática ,por entre as quais o trigo era farinado Estas formas de aproveitamento, quer nas eiras , quer nos moinhos ,pertencem ao passado. Terão que dar lugar ás modernas aerobombas e aos aerodinamos .. Não estou a referir-me ao aproveitamento da energia eólica , em grande escala Isso transcende o âmbito deste escrito . Estou a falar do uso da energia eólica ,nas explorações agrícolas dispersas , que precisam de autonomia enérgica para pequenos usos :--- elevação de agua para uma horta familiar , gastos de casa ,animais domésticos ,baixa tensão para a iluminação , aparelhos de comunicação ,pequenos equipamentos , etc . O facto de estar uma curso a instalação dos canais de regadio de Alqueva, não retira minimamente a valia da energia eólica na dimensão que propomos . São equipamentos de diferentes dimensões para diferentes fins .A rega a partir de Alqueva destina-se a grandes regadios agrícolas os quais, logo que a cultura deixe de precisar de água , fecham-se as adufas até para o ano seguinte .

3---- Nem só com grandes empreendimentos se desenvolve a região .Pequenos ,simples ,funcionais, enquadráveis nos sistemas agro-sociais locais , são indispensáveis para o bom desempenhos da economia agro-rural O aproveitamento do vento ,porque perfeitamente ao nosso alcance é um deles .Discutindo ,com um amigo , o conteúdo deste escrito, antes de do seu lançamento, dizia-me ele:-- É absolutamente funcional para o fim proposto. Contudo quem são os destinatários ?- A pouca população que ainda resta nos campos alentejanos está acantonada nas aldeias . Os montes ,os destinatários naturais , são , na sua quase totalidade , pertença de estranhos ao meio e residentes algures , que tem uma noção egoísta e inconsequente do mundo rural .Daí que a sua disseminação tenha de ser antecedida de uma reestruturação fundiária que atribua á terra uma função social .Os equipamentos eólicos só irão pontilhar a paisagem alentejana quando os actuais “legítimos direitos “ sobre a terra ,forem substituídos pelo conceito de ruralidade FRANCISCO PÂNDEGA (agricultor)E mail:- fjnpandega@hotmail.comBlog—alentejoagrorural.blogspot.com